x x

 DOENÇAS INFECCIOSAS

BACTERIOLOGIA IMUNOLOGIA MICOLOGIA PARASITOLOGIA VIROLOGIA

 

VIROLOGIA -  CAPÍTULO TRÊS

ESTRATÉGIAS DE REPLICAÇÃO DE VÍRUS DE DNA  

Dr Margaret Hunt
Professor Emerita
Department of Pathology, Microbiology and Immunology
University of South Carolina School of Medicine

Tradução: PhD. Myres Hopkins

 

EM INGLÊS
En Español
NË SHQIPTARE
Dê a sua opinião
CONTATO
BUSCA
E-MAIL
DR MYRES HOPKINS
 
  
Logo image © Jeffrey Nelson, Rush University, Chicago, Illinois  and The MicrobeLibrary

 

 

OBJETIVOS

Análise descritiva das estratégias replicativas empregadas por vírus de DNA animais

Identificação de prototipos virais associados a diferentes esquemas de replicação de vírus de DNA

 

GENERALIDADES

Genomas virais contém informações que:

  • garantem a replicação de genomas virais

  • garantem o empacotamento de genomas em virions

  • alteram a estrutura e/ou função da célula hospedeira em maior ou menor grau.

ESTRATÉGIA VIRAL

Estratégia viral se refere à maneira pela qual cada vírus realiza as funções acima. Visto que um vírus é um parasita intracelular, ele tem que operar dentro dos limites impostos pela célula hospedeira, ou contornar essas limitações.

 

ESTRATÉGIA DE REPLICAÇÃO DE VÍRUS DE DNA

Generalidades

  • O vírus precisa fazer RNAm que pode ser traduzido em proteínas pela maquinária de tradução da célula hospedeira.

  •  O vírus precisa replicar seu genoma.

  • Enzimas do hospedeiro para a síntese de RNAm e para a replicação do DNA são nucleares (exceto as que estão nas mitocôndrias) e assim, se um vírus quizer se beneficiar dessas enzimas, ele tem que entrar no núcleo.

 

 

  VÍRUS NUCLEARES DE DNA  

FAMÍLIA DOS PARVOVÍRUS

Parvovirus são vírus muito pequenos (18 a 25nm de diâmetro), de fita simples de DNA (parvum=pequeno). Eles têm um capsídeo icosaédrico e são não-envelopados. A replicação do DNA ocorre no núcleo. O parvovírus humano B-19 replica em células em divisão – principalmente em progenitores de eritrócitos na medula óssea – e provocam a quinta doença (eritema infeccioso). Esta é normalmente uma doença amena, mas o decréscimo na produção de eritrócitos pode vir a ser problema em pessoas com vários tipos de anemia hemolítica severa.


papilloma3.gif (15776 bytes)  Figura 1
Vírus do papiloma
© Dra. Linda Stannard, Universidade de Cape Town, África do Sul. Usado com permissão
FAMÍLIA DO PAPILOMAVIRUS

A família do papilomavírus foi inicialmente agrupada junto com a família do poliomavírus na família papovavírus (PApilloma, POlyoma, vírus VAcuolante símio 40) porque membros de ambas as famílias têm uma estrutura similar. Entretanto, agora está claro que as duas famílias têm uma estratégia de replicação muito diferente e porisso cada grupo ganhou o estatus de família.

 

PropRIEDADES DOS POLIOMavÍrus E PapilomavÍrus

Eles são pequenos: 40 - 60nm
Eles são icosaédricos: principal proteína do capsídio é VP1, com menores quantidades de VP2 e VP3
Eles são não-envelopados
Eles têm DNA circular, dupla-fita associados a histonas celulares (nucleossomos)

Papilomavírus (figura 1) são difíceis de crescer em cultura.  Eles não vão ser discutidos posteriormente nesta seção (mas veja a seção de vírus de DNA tumorais).   

 

dna2.jpg (329086 bytes) Figura 2 Vírus SV40, um vírus polioma © Dr J-Y Sgro, Universidade de Wisconsin. Usado com permissão

 

POLIOMAVÍRUS

Entre estes se incluem o SV40, BK, JC e vírus do polioma. Todos têm mesma estratégia de replicação do DNA. São vírus pequenos (~40nm de diâmetro), icosaédricos, não-envelopados que se replicam no núcleo. Depedendo da célula hospedeira, eles podem transformar a célula (veja aqui) ou replicar o vírus e lisar a célula. 


CICLO LÍTICO

Ligação, penetração e desnudamento

Proteínas do capsídio viral interagem com receptores na superfície celular e a penetração é provavelmente via endocitose. Vírions são transportados para o núcleo e desnudados. O DNA (e histonas associadas) entram no núcleo, provavelmente através de um poro nuclear.

 

Produção de RNAm e proteínas virais

A expressão gênica é dividida nas fases inicial e tardia.

Genes iniciais codificam para enzimas e proteínas regulatórias necessárias para iniciar os processos de replicação viral.

Genes tardios codificam para proteínas estruturais, proteínas necessárias para a montagem do vírus maduro.

 

Figura 3 Expressão gênica inicial
Nota: - - - - indica regiões do transcrito primário que são removidas no RNAm processado por splicing alternativo.
Modificado de Fiers et al.,Nature 273:113

 

 

 

 

 

 

 

 
Figura 4 Expressão gênica tardia
Nota: - - - - indica regiões do transcrito primário que são removidas no RNAm processado por splicing alternativo. Setas em ponta de lança indicam regiões traduzidas em proteínas
Modificado de Fiers et al.,Nature 273:113

FASE INICIAL DO CICLO LÍTICO

Expressão gênica inicial (figura 3)

O promotor inicial é reconhecido pela RNA polimerase IIdo hospedeiro (SV40 contém um potente  acentuador). Modificação pós-transcricional do RNA (5’ Cap, metilação, poliadenilação, splicing,  etc.) é realizado por enzimas do hospedeiro. O transcrito inicial (transcrito primário) é feito e este sofre processamento alternativo, resultando em RNAm para os antígenos T pequenos e grandes (essas proteínas têm mesmo terminal amínico, mas terminais carboxílicos diferentes).

Os RNAm são traduzidos no citoplasma.

Nota: Transcritos primários que podem ser processados e codificam para mais de uma proteína são encontrados em algumas famílias de vírus e na célula hospedeira.

 

FASE TARDIA DO CICLO LÍTICO

Por definição a fase tardia se inicia com a replicação do genoma viral.

Replicação do DNA

A replicação do DNA do SV40/polyoma ocorre no núcleo. 

Grande antígeno T é necessário para a replicação do DNA. Ele se liga à origem de replicação.

Vírus do polioma usam a DNA polimerase da célula hospedeira, que reconhece a origem de replicação viral ‘se’ o antígeno T estiver presente.

A replicação do DNA é bidirecional (Há duas forquilhas de replicação por DNA genômico circular e a replicação envolve fitas  de replicação sentido/anti-sentido, fragmentos de Okazaki, DNA ligase, etc.). Este processo de replicação do DNA é muito semelhante ao que acontece na célula hospedeira – o que não é de surpreender, pois o vírus está usando principalmente a maquinária hospedeira, exceto pelo envolvimento do antígeno T.

Complexo de histonas hospedeiras, com DNA recém sintetizado.

 

Expressão gênica tardia (figura 4)

RNAm tardios são feitos após a replicação do DNA (uma grande quantidade de DNA viral recém-sintetizado está agora disponível como molde). RNAm iniciais ainda estão sendo transcritos, mas em velocidade muito menor.

O antígeno T está envolvido no controle do aumento da transcrição do promotor tardio e da diminuição da transcrição do promotor inicial. Ele também interage com proteínas hospedeiras e muda as propriedades da célula hospedeira, agindo assim na transformação celular e formação de tumor.

VP1, 2, e 3 são feitas do mesmo transcrito primário, que realiza splicing diferencial (figura 5). Isso faz com que o início da leitura de VP1 seja diferente do de VP2 e VP3. Dessa forma, uma região do DNA pode codificar para duas sequências de aminoácidos diferentes, dependendo do códon de iniciação utilizado. Esta é uma outra maneira pela qual vírus (e células) podem usar um trecho pequeno de DNA para codificar para mais de uma sequência protêica.

MONTAGEM

Os RNAm de VP1, 2 e 3 são traduzidos no citoplasma, as proteínas são transportadas para o núcleo, e os capsídios são montados com DNA (e histonas da célula) dentro do capsídeo. Grandes quantidades de capsídeos se acumulam no núcleo e formam corpos de inclusão. Virions são liberados por lise celular.

 

 

dna5.jpg (260900 bytes) Figura 5
VP1, 2, e 3 são feitas do mesmo transcrito primário que faz splicing diferencial. Isso faz com que o início da leitura de VP1 seja diferente do de VP2 e VP3
  Figura 6
Expressão gênica pelo SV40.
Genes iniciais estão em vermelho, genes tardios estão em verde.  Nota: - - - - indica regiões do transcrito primário que foram  removidas no RNAm que foi processado por splicing alternativo. Área hachureada indica região do RNA traduzido em diferentes fases de leitura, de acordo com as quais transcrito produzido por splicing alternativo está sendo traduzido. Modificado de Fiers et al.,Nature 273:11
 
 

ASPECTOS DIGNOS DE NOTA SOBRE A ESTRATÉGIA DOS VÍRUS POLIOMA

Funções iniciais e tardias
Uso múltiplo da mesma sequência de DNA (splicing alternativo, sobreposição de inícios de leitura)
Proteína multifuncional (Antígeno T)
Pequeno genoma – portanto não é de surpreencer que o vírus codifica para um número muito limitado de proteínas
Célula hospedeira proporciona a maquinária de síntese de RNA, maquinária de modificação do RNA, maquinária de síntese de DNA, histonas para empacotamento do DNA

 

 

adeno2.gif (35105 bytes) Figura 7a
Estrutura do adenovirus
© Dra. Linda Stannard, Universidade de Cape Town, África do Sul. Usado com permissão

dna7.jpg (25995 bytes) Figura 7b
Estrutura do adenovirus

ADENOVÍRUS


 

PROPRIEDADES DOS ADENOVÍRUS

Maior que os papovavírus (70nm de diâmetro)
Vírus não-envelopados, icosaédricos com fibras nos vértices (figura 7 e 8)

Genoma 7 vezes maior que o do vírus do polioma

O DNA é linear, dupla fita, associado com proteínas básicas codificadas pelo vírion (diferentemente dos vírus do papiloma e do polioma, os adenovírus não usam histonas celulares para empacotar o DNA do vírion)

 

 

CÍCLO LÍTICO

Adsorção e penetração

Adenovirus normalmente infectam células epiteliais. As fibras se ligam a receptor na superfície das células e o vírus é englobado por endocitose. O vírus aparenta ser capaz de lisar endossomas. O desnudamento ocorre em etapas. O DNA é liberado no núcleo (provavelmente em um poro nuclear) (figura 9).

Fase inicial

Transcrição inicial: O adenovírus usa a RNA polimerase da célula hospedeira e RNAm iniciais são transcritos a partir de regiões dispersas em ambas as fitas (figura 10). Múltiplos promotores permitem maior flexibilidade de controle. RNAm são processados pela célula hospedeira, 5’ Cap, metilação, poliadenilação e (às vezes) sistemas enzimáticos de splicing, sendo então exportados para o citoplasma e traduzidos.

 

 

A
dna8.jpg (116082 bytes)  
B
Figura 8 Modêlos do virion do adenovirus. A: Uma reconstrução de imagem tridimensional da partícula intacta do adenovírus vista em conjunto com um icosaedro tri-axial (© EMBL Virus Structure Resource). B: Uma seção estilizada da partícula do adenovírus baseada na compreensão atual dos seus componentes polipeptídicos e DNA. Nenhuma seção real do icosaedro conteria todos os componentes. Os constituintes virais são designados por seus números de polipeptídeo com exceção da proteína terminal (TP). Adaptado de Fields et al., Fundamental Virology (1996).
 
   

As proteínas iniciais incluem as que:

  • são necessárias para a transcrição (proteína E1A é necessária para a transcrição dos outros genes iniciais; como resultado disso esses outros genes são às vezes referidos como genes "tardios iniciais" e E1A é referido como um gene "inicial imediato"). 
  • são necessárias para a síntese de DNA do adenovírus (inclui DNA polimerase)
  • alteram a expressão dos genes da célula hospedeira. Isso inclui genes cujos produtos interferem na resposta antiviral do hospedeiro e/ou interfere na regulação do ciclo celular

 

 

 Figura 9  Representação diagramática da captação e desnudamento de partículas de adenovírus. Adaptado de Zinsser Microbiology 20th Ed. 
Figura 10
Mapa de transcrição do adenovírus. Genes inicias são mostrados em vermelho. Verde indica genes tardios. Linhas azuis indicam DNA. Colchetes indicam a posição de promotores. Transcritos primários são feitos a partir de cada promotor e em seguida sofrem splicing alternativo, o diagrama acima não mostra o transcrito primário. Mostra apenas aquelas regiões presentes nos produtos do splicing alternativo. Regiões ausentes indicam íntrons removidos.

Adaptado de Broker, T.R. In Processing of RNA. (Apirion, D ed) 181-212, 1984
 

 

Figura 11 Replicação do DNA do adenovírus por um mecanismo de  deslocamento

 

Fase tardia

Replicação do DNA:

O adenovírus codifica para sua própria DNA polimerase (que é uma das proteínas iniciais). O DNA é replicado por um mecanismo de deslocamento de fita (figura 11). Não há fragmentos de Okazaki, ambas as fitas são sintetizadas de forma contínua.

DNA polimerases não podem iniciar síntese de novo, elas precisam de um primer. No caso do adenovírus, a proteína (TP) codificada pelo vírus age como um primer. Ela está ligada covalentemente à ponta 5’ de todas as fitas de DNA de todos os adenovírus.

 

Figura 12
Mapa de transcrição do adenovírus. Genes iniciais são mostrados em vermelho. Verde indica genes tardios. Azul indica DNA. Colchetes indicam os promotores. Regiões ausentes indicam remoção dos íntrons. Adaptado de Broker, T.R. In Processing of RNA. (Apirion, D ed) 181-212, 1984

 Figura 13 Processamento do transcrito primário viral

Transcrição tardia:

A maneira pela qual a transcrição tardia é ligada ainda não é bem compreendida. RNAm tardios codificam predominantemente para proteínas estruturais e existe UM promotor tardio principal (figura 12). O transcrito primário é processado para gerar vários RNAm monocistrônicos (figura 12 e 13):

Há dois tipos de clivagem do transcrito primário:

i. para produzir vários terminais 3' que são depois poliadenilados

ii. para a remoção de introns 

Não é compreendido como este processo é controlado para que as quantidades corretas de cada RNAm sejam feitas. Ao que parece o vírus faz mais RNAm e proteínas do que as necessárias para a montagem do vírion, de forma que o controle preciso não é necessário.

 

Montagem

A montagem das partículas do adenovírus ocorre no núcleo. O DNA entra nas partículas após capsídeos imatudos forem formados. Os capsídeos sofrem processo de maturação, após o que as células lisam e os vírios escapam.

Mais proteínas estruturais do que necessárias são feitas, e o excesso de proteínas estruturais acumula no núcleo, onde formam corpos de inclusão.

 

   
ASPECTOS DIGNOS DE NOTA SOBRE A ESTRATÉGIA DOS ADENOVÍRUS
AdenovÍrus são maiores e mais complexos do que os papovavirus
Adenoviruses codificam para sua própria DNA polimerase e proteínas de empacotamento do DNA
Entretanto, embora adenovírus codifiquem para sua própria DNA polimerase, eles usam fatores do hospedeiro além das proteínas virais para a replicação do DNA, e eles usam a RNA polimerase do hospedeiro e sistemas de modificação do RNA. Sendo assim, a síntese de ácidos nuclêicos precisa ocorrer no núcleo

 

 Figura 14a 
Estrutura do vírus do herpes

herpes.gif (48070 bytes) Figura 14b
Virus do herpes simplex 
© Dra. Linda M Stannard, Universidade de Cape Town, África do Sul, 1995 (usado com permissão). 

 

 

VÍRUS DO HERPES  

 

PROPRIEDADES DO VÍRUS DO HERPES

Vírions maiores (180 - 200nm) do que os adenovírus
Genoma maior (tres a cinco vezes maior) do que os adenovírus
DNA linear, dupla fita
Vírus envelopado icosaédrico (isso significa que solventes lipídicos rapidamente inativam esses vírus) (figura 14)
Figura 15a Vírus do herpes simplex adsorvendo à membrana plasmática  © Dennis Kunkel Microscopy, Inc.  Used with permission

Figura 15b
Fusão do vírus ligado à membrana com a membrana plasmática

Adsorção e penetração

Muitos vírus do herpes, incluindo o vírus do herpes simplex, pode se fusionar diretamente com a membrana plasmática (levando ao desnudamento parcial) (figura 15). Esta fusão com a membrana plasmática tem implicações tanto para o vírus como para a célula hospedeira. Entre estas se incluem:

i) Visto que a proteína de fusão está ativa em pH fisiológico, se ela estiver inserida na membrana celular hospedeira durante o ciclo de crescimento do vírus, a célula infectada pode potencialmente se fusionar com outras células e formar um sincício.

ii) A membrana viral deixa suas "impressões digitais" na membrana plasmática e esta é uma possível dica de que a célula está infectada (figura 15b)

Os capsídeos são transportados para o núcleo e o DNA passa para o núcleo (provavelmente via poros nucleares)

 

 Figura 16 
Expressão de genes iniciais imediatos, iniciais e tardios do vírus do herpe

Fase inicial

Transcrição inicial (os RNAm durante esta fase são os RNAm alfa e beta) (figura 16)

O vírus do herpes usa RNA polimerase hospedeira. Entretanto, um proteína de tegumento do vírion (VP16) entra no núcleo com a infecção e é importante como parte do complexo fator de transcrição reconhecido pela RNA polimerase. O vírus usa enzimas de modificação do RNA hospedeiras.

Inicialmente, RNAm alfa são transcritos. Estes são RNAm imediatamente iniciais e são exportados para o citoplasma e traduzidos em proteínas alfa. As proteínas α traduzidas no citoplasma são transportadas para o núvleo, onde elas habilitam os promotores beta para serem usados pela RNA polimerase hospedeira (figura 16).

RNAm beta são transcritos pela RNA polimerase hospedeira. (Genes beta são ainda “iniciais” visto que eles são transcritos antes da síntese do DNA. Às vezes entretanto, genes alfa são chamados de “imediatamente iniciais” e genes beta são chamados “iniciais”). Proteínas beta estão envolvidas na regulação da expressão gênica. Eles diminuem a expressão do gene alfa e são necessários para a expressão do gene gama. Eles estão também envolvidos em vários aspectos da síntese do DNA; por exemplo, genes beta do herpes codificam para uma variedade de proteínas incluindo:

  • DNA polimerase

  • Proteínas de ligação a DNA

  • Timidina cinase

  •  Ribonucleotídeo-redutase

TENDO EM VISTA QUE ESSAS PROTEÍNAS BETA SÃO CODIFICADAS PELO VÍRUS E NÃO SÃO ENZIMAS CODIFICADAS PELO HOSPEDEIRO, ELAS SÃO POTENCIALMENTE “PONTOS DE VULNERABILIDADE” NO CICLO DE VIDA DO VÍRUS, SENDO PORTANTO ALVOS PROMISSORES PARA QUIMIOTERAPIA ANTIVIRAL

 

 

Figura 18 Possíveis estruturas genômicas do vírus do herpes

Fase tardia

Replicação do DNA

O vírus do herpes codifica para várias proteínas, além da DNA polimerase, que são necessárias para a replicação do DNA. O mecanismo preciso da replicação do DNA não é conhecido. A replicação do DNA é acompanhada de inúmeras recombinações. O DNA replicado está presente contanto que moléculas concataméricas (repetições em tandem do genoma ligado “cabeça à cauda”). Estas são clivadas até o tamanho do genoma quando o DNA é empacotado no vírion (figure 18). 

Alguns vírus herpes (ex. Vírus do herpes simplex) têm uma estrutura genômica na qual duas partes do genoma podem inverter uma em relação à outra (figura 18), e outros não. A importância disso não está clara.

Transcrição tardia

Por definição, transcrição tardia ocorre após a replicação do DNA. RNAm gama são produzidos e são trasuzidos no citoplasma. Proteínas gama são predominantemente estruturais. Há uma expressão diminuída de genes beta no estágio tardio. Isso se deve provavelmente à regulação negativa da transcrição dos genes beta por uma das proteínas gama.

No vírus do herpes não há aparente organização do genoma em blocos de transcrição inicial ou tardia.

 


Figura 19A
Vírus do herpes simplex em vacúolos celulare e citoplasma de linfócito de sangue periférico  © Dennis Kunkel Microscopy, Inc.  Usado com permissão

Figura 19B
Vírus do herpes simplex sobre e dentro de um linfócito de sangue periférico  © Dennis Kunkel Microscopy, Inc.  Usado com permissão  
 

Montagem

A montagem ocorre no núvleo. Um capsídeo é formado e o DNA entra no capsídeo. Os capsídeos adquirem um envelope ao brotar através de áreas da membrana nuclear interna que tenham proteínas de membrana virais nelas inseridas (figura 19). Essas áreas têm proteínas tegumentares associadas com a face interna da membrana nuclear interna. O envelope viral se fusiona então com a membrana externa e o nucleocapsídeo desenvelopado é liberado no citoplasma, onde adquire um tegumento mais maduro. Eles se tornam então re-envelopados pelo brotamento em vesículas derivadas das vesículas de Golgi e são então liberados.

A proteína tardia requerida para a transcrição de RNAm imediatamente iniciais na próxima rodada de infecção é empacotada no vírion.

O excesso de proteínas estruturais se acumula no núcleo, frequentemente formando corpos de inclusão (parte do efeito citopático).


ASPECTOS DIGNOS DE NOTA SOBRE O VÍRUS DO HERPES

Não há blocos definidos de genes iniciais ou tardios
Eles são mais independentes do que alguns dos vírus menores
Devido ao fato de serem mais independentes, eles têm mais “pontos de vulnerabilidade” que podem ser alvos de drogas

 


 

   Figura 19C    Estágios na exocitose do vírus do herpes do núcleo, em que o core do vírus é montado, para a membrana plasmática

  Figura 20 Coloração negativa e seção fina de vírus do grupo dos poxvírus  © F. Fenner

  

VÍRUS DE DNA CITOPLASMÁTICOS  

 

smallpox.jpg (23267 bytes) Figura 21 Garôto com varíola   CDC/Cheryl Tryon ctt1@cdc.gov  POXVIRUSES  

Há várias razões pelas quais poxvirus (figura 20) têm importância:

  • Certos poxvírus são um fato histórico, tal como o vírus da varíola (figura 21) e vaccinia (varíola bovina, que foi usado na vacina da varíola (veja aqui)

  • Vírus pox podem ser possíveis agentes de bioterrorismo

  • Vírus pox são usados em novas técnicas de desenvolvimento de vacinas (tal como a vaccinia produzida por engenharia genética)

Alguns membros desta família infectam homem (molluscum contagium (figura 22), vírus orf, varíola símia, varíola bovina). Nota: varicela é causada por um herpesvírus que não é membro da família poxviridae

 

pox-moll-cont.jpg (35295 bytes) Figura 22  Micrografia de transmissão de poxvirus de of molluscum contagiosum  CDC 

PROPRIEDADES DOS POXVÍRUS

Virions granges
Genoma grande, DNA dupla fita
tamanho variável mas são tão grandes quanto ou maiores do que os herpesvirus
Morfologia complexa
Envelopados
 


 

Poxvirus replicam no citoplasma. Isso significa que eles devem ter sua própria maquinária de síntese de RNA e DNA.

Vaccinia é o mais intensivamente estudado membro da família dos poxvirus.


Adsorção e penetração

O vírus se liga a receptores da superfície celula. Ele entra nas células via endocitose ou via fusão direta do vírus com a membrana plasmática. O vírus é então liberado no citoplasma, sem sua membrana.

 

Fase inicial

Transcrição inicial

Após a fase inicial do desnudamento ter ocorrido, o vírus pode fazer um número limitado de RNAm (os RNAm imediados iniciais). Para fazer isso, o poxvírus precisa de uma RNA polimerase dependente de DNA. A RNA polimerase hospedeira está no núcleo celular e isso explica porque os poxviruses usam uma RNA polimerase dependente de DNA codificada pelo vírus para fazer seus RNAs. Visto que esta enzima é necessária imediatamente à infecção, ela deve ser trazida para a célula infectada com o DNA da vaccinia, e assim se apresenta nos virions. DNA “nu” da vaccinia que teve todas as proteínas removidas é portanto não infeccioso, visto que ele não tem RNA polimerase associada a ele, e nada acontece no ciclo de vida do vaccinia sem a RNA polimerase do vaccinia, uma vez que nenhum RNA ou proteínas podem ser produzidos.

RNAm do poxvirus têm a 5’ Cap, são metilados e poliadenilados tais como os RNAm eucarióticos, mas os RNAm da célula hospedeira são modificados no núcleo e o vaccinia replica no citoplasma. Uma vez sendo o vaccinia citoplasmático, essas modificações devem ocorrer por enzimas codificadas pelo vírus. As enzimas modificadoras são empacotadas em vírions e assim aqueles RNAm feitos imediatamente após a infecção podem ser modificados. Até o presente nenhum RNAm feito por splicing foi demonstrado para o vaccinia (isso não é de surpreender, visto que ele replica no citoplasma e enzimas hospedeiras de splicing estão no núcleo).

Um dos produtos de tradução de RNAm iniciais é uma enzima de desnudamento. Ela permite desnudamento posterior do DNA do vaccinia e mais genes podem agora ser transcritos – os genes inicias são todos expressos agora. Poxvírus são excepcionais por codificarem para uma proteína de desnudamento que tem que ser feita na célula recém-infectada, antes do desnudamento ser concluído.

“Fábricas” de produção viral são encontradas no citoplasma – sítios de replicação do vírus vaccinia.

As proteínas iniciais estão envolvidas na replicação do DNA, transcrição do RNA, modificação do RNA e desnudamento. Elas também incluem algumas proteínas estruturais.

 

 
Fase tardia

Síntese de DNA

A síntese de DNA ocorre em "fábricas" e usa um mecanismo não usual que não será tratado aqui.

Transcrição e tradução tardias

Este é um processo complexo. Algumas proteínas tardias são feitas durante a fase tardia, mas outras somente no começo da fase tardia. Algumas proteínas iniciais não são sintetizadas quando a replicação do DNA começa, enquanto que outras proteínas iniciais são feitas durante a fase tardia, assim como as de fase inicial. Assim há um controle complexo de quais proteínas são feitas pelo vaccinia e quando elas são feitas. Isso significa que existem outros contrôles além dos simples controles inicial/tardio (Este é um vírus muito grande, daí a complexidade é de se esperar).

 

Figura 23 Possível esquema para a formação de vírions pox infecciosos. O core do vírus se embrulha em membrana citoplasmática e escapa quando a célula hospedeira é lisada. Alguns outros vírios ligados à membrana podem brotar através de outras membranas, em cujo caso eles têm duas membranas. Em qualquer caso os vírions são infecciosos. Adaptado de Baron, S. Ed. Medical Microbiology 4th Edition. 1996. 

Montagem

A montagem ocorre em "fábricas" no citoplasma. Os vírus novos imatudos adquirem uma membrana quando no citoplasma – o mecanismo exato ainda não é completamente compreendido, mas ao que parece o vírus se “embrulha” em membranas celulares (figura 23). A idéia antida de que uma membrana é formada diretamente a partir de lipídios e não a partir de uma membrana pré-existente não é correta. Há uma maturação gradual das partículas envelopadas. O vírus é normalmente liberado pela desintegração da célula hospedeira, mas alguns saem por brotamento através das membranas (em cujo caso eles têm membranas extras). Ambas as formas aparentam ser infecciosas. O mecanismo exato pelo qual os vírus saem das células infectadas depende do tipo de célula hospedeira.

ASPECTOS DIGNOS DE NOTA SOBRE OS POXVIRUSES

Citoplasmáticos
Grande genoma
O vírus faz um monte de coisas sozinhos
O vírus tem capacidades não usuais comparados com outros vírus

 

Voltar à Seção Virologia do Microbiologia e Imunologia Online

This page last changed on Monday, February 08, 2021


Página mantida por Richard Hunt